Até os 15 anos sempre tive blogs. Faziam até sucesso, conheci pessoas de todo país e fiz alguns amigos e amores. Algumas pessoas me admiravam, viam força em mim e queriam ser como eu, como diziam. Escrevia reflexões pessoais, poesias, prosas… Verdadeiras preciosidades que se perdiam sempre que eu entrava em crise existencial e deletava o blog sem salvar nada por achar que tudo era uma droga, que eu achava que sabia escrever.

Hoje só de lembrar parte dos textos me arrepio. Eu era nova, tinha uma inocência indecente, onde eu expunha sem vergonha tudo que sentia de uma forma assustadoramente instigante. Os pouquíssimos textos que tenho em arquivo são absurdos, absurdamente profundos para uma menina de 13, 14 anos.

E onde foi parar tudo isso? Na verdade acredito que perdi essa inocência e fiquei apenas na indecência por me deixar levar por críticas absolutamente infundadas que me fizeram acreditar que eu era imatura e ridícula demais para escrever.

Pior agora, que sou madura e tenho dificuldade de me expressar. Juízo demais só atrapalha o desenvolvimento.  Agora penso mil vezes antes de falar ou escrever as coisas e acabo quieta, calada, vivendo de murmuros.

Meu pai que me ensinou a ter medo de errar. Me bombardeava toda a vez que eu errava uma palavra, um pensamento, uma atitude. Eu era só uma criança e eu nem errava tanto. Acho que ele se deixou amargar pela vida e pelos problemas e eu acabei indo na linha e me apaguei por muito tempo.

Á pouco tomei coragem para tentar de novo. O que custa? Não estou em uma platéia aberta nem de salto 15, mas sim sentada confortavelmente com um cachorro deitado em meus pés e um computador com duas telas á minha frente.

Hoje eu disse á mim mesma: Me deixe viver. Se deixe viver. Se deixe sentir, escrever, falar, ir sem medo de errar o caminho. Errar não tira pedaço, eu errei tanto e aqui estou hoje, quase inteira… Porque o que me tirou pedaço foram as vezes que eu quis fazer, quis dizer, quis ir e não fui, não disse, não fiz. Quando lembro sinto até revolta, porque analisando bem eu estava certa, eu estava segura, eu era muito mais forte do que pensava, mas não sabia.

Só vou me arrepender do que não fiz, o que fiz está feito e se não alcancei meus objetivos aprendi no caminho.

Dói enfrentar a si mesmo. É estranho, ainda mais quando você pode simplesmente clicar no ” x ” do navegador e ir dormir. Mas sigo pois realmente acredito que me fará bem exteriorizar o que se debate dentro de mim e compartilhar com o mundo um pouco de mim, que faço parte dele.

Neste blog falarei sobre achados culinários, comidinhas gourmet e reflexões pessoais. De vez em quando deve aparecer um ou outro pelinho de cachorro para dramatizar, mas nada que um ” papa bolinhas ” não resolva.

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Bye!