Por boa parte da minha vida fiquei revoltada com meus pais pois achava que eles faziam tudo do jeito errado e não respeitavam meu espaço. Achava absurdo comer a sobremesa no mesmo prato do almoço, passar manteiga com colher, andar de sapato da rua dentro de casa.

O tempo passou e fui conseguindo que meus pais absorvessem algumas coisas que eu sugeria, como não entrar em casa com o sapato (esperaram meus cachorros adoecerem para isso, mas tá valendo) . Eles foram me mostrando que algumas coisas que eu julgava serem absurdas eram na verdade muito mais práticas do que a forma usualmente estabelecida, como passar manteiga com a colher (é mais rápido e prático) .

Porém algumas coisas continuam sendo absurdas pra mim, e descobri que muitas coisas que faço também são absurda para eles.

Sou muito aberta para conversar, mesmo com pessoas que conheço pouco. Meus pais ainda acham que é ” perigoso ” falar com estranhos. É mesmo, mas já sou adulta e costumo selecionar os ” estranhos ” com quem falo.

Uma coisa que me chateia bastante é a questão da privacidade. A pior parte é a questão da correspondência. Meu pai tem mania de abrir tudo que tiver nome de banco, seja para ele ou não. Chegamos ao ponto de eu contratar uma caixa postal nos Correios para receber minha correspondência e usar o endereço da minha avó quando necessário. Quando liguei para o banco para mudar o endereço a mocinha me perguntou o por que e eu educadamente disse: “Tem um louco no meu prédio que some com todas as minhas contas.”

É tipo isso. Eu sou a louca que fala com estranhos, ele o louco que abre cartas, meu irmão o louco que não coloca a toalha na corda pra secar e minha mãe a louca que deixa a escova de dente fora do porta escova de dente.

Cada um tem suas regras. Regras de conduta, de convivência, de organização. Meus pais tem as deles, eu tenho as minhas. Quando vivemos em família temos que ser flexíveis senão não há convivência que aguente. Viver em sociedade no geral é aprender a ceder de vez em quando.

Hoje toda vez que penso em me aborrecer uso do auto argumento: ” Sua casa, seu dinheiro, suas regras. Se não gosta, se acha chato, se quer algo diferente estude, trabalhe e tenha sua casa, logo, suas regras.Resumindo: As pessoas não tem que mudar porque você quer, mas você pode mudar sempre: De casa, de cidade, de estado, de país. Ou mesmo mudar para agrada-las ou só para não se aborrecer mais. Você que sabe, cada um é dono de si.

Tem coisas que podemos mudar, que podemos melhorar, porém outras estão tão enraizadas que realmente não conseguimos modifica-las e, se elas nos incomodam significativamente, talvez seja melhor ter seu próprio espaço.

Já falei sobre isso no vídeo e post sobre problemas familiares. As pessoas tem o direito de fazer e agir como quiserem, mas você tem o direito que não concordar e de não conviver com isso, só depende de ti. Tem coisa melhor do que ser dona do seu nariz e decidir o que quer pra si sem depender de ninguém nem ter que restringir suas opções por conta de $$ ?

A vida é dura mas justa, por mais que alguns achem o contrário. Por mérito próprio podemos conseguir grandes coisas e realizar maravilhosos feitos. A questão toda é ter iniciativa, motivação e força para sair da nossa zona de conforto em busca sempre do melhor para nós e para os nossos!