Lembro que uma das minhas maiores dificuldades no auge dos meus 120 kg era achar roupas que coubessem em mim e combinassem com o meu estilo. Não gosto de gastar pequenas fortunas com peças, então sempre recorria a lojas de fast fashion.

Aí começava a penúria. Sempre odiei ter que ir para a sessão plus size. Parece que estou indo para um cantinho do castigo, uma parte só para gordas. Nunca entendi porque as lojas não podem simplesmente fabricar as roupas do 34 ao 54. Por que não podem ser os mesmos modelos, apenas com tamanhos distintos?

Na maioria das vezes eu desistia da sessão, pois os modelos que eu provava dali me envelheciam uns 10 anos. Além disso algumas peças passavam dos R$ 90 sem ter nada que as fizesse valer isso. Eu sempre acabava optando pela sessão masculina, onde o GG e EXG cabiam bem em mim.

Hoje, já fora dos 3 dígitos, ainda tenho grande dificuldade em achar roupas que caibam, caiam bem e combinem comigo. Lingerie? Tudo bege. Quando acho uma estampa bonita as alças são finas, entram nas dobrinhas e machucam os ombros. Calcinhas compro em pacotinhos, naquelas lojas de roupas 100% algodão para vovós.

Nos EUA o mercado plus size expandiu e há modelos de manequim realmente grande, como a Tess Holiday. Além de modelar para coleções plus, Tess também milita pelo estilo de vida body positive, que prega que sejamos amáveis com nós mesmas e nos vejamos de forma positiva.

Tess Holliday

Tess Holliday

Há lojas plus size no mercado brasileiro, principalmente online, porém os preços são, em sua maioria, desmotivantes. Além disso grande parte das marcas só trabalha com modelos retos para gordinhas, pois é difícil ter um modelo de gordo para vestir.

Quem já passou por isso ou está acima do peso sabe que um corpo gordo varia de pessoa pra pessoa. Algumas gordinhas tem cintura, outras não, algumas tem coxas e bumbum grandes, outras tem corpo estilo triângulo invertido. Algumas tem braços grandes, outras a batata da perna. É realmente difícil pensar numa roupa que vista bem tantas variações, porém há algumas coisas a se fazer quanto a isso:

  • Fazer roupas com medidas proporcionais para facilitar no caso de um possível ajuste.
  • Priorizar tecidos que favoreçam um bom caimento.
  • Não fazer roupas só até o tamanho 50.
  • Pensar nos diversos modelos de corpo e investir em diversos modelos de roupas.
  • Investir em estampas ecléticas e modelos elegantes, já que existe a sessão plus size.

Da mesma forma que nem toda roupa em tamanho “normal” veste bem todas as pessoas de tamanho “normal”, nem toda roupa plus size serve nas pessoas maiores. Porém na moda tradicional isso é pensado e não faltam modelos e moldes para atender a maioria das pessoas. Com o aumento progressivo do número de pessoas acima do peso no Brasil, está na hora da sessão plus size parar de ser um cantinho da loja e, ou ser uma sessão proporcional ao público, ou mesclar-se nas araras normais.

Minha vontade é ver o fim das sessões plus size e poder buscar peças pra mim na mesma sessão das minhas amigas que vestem M. Chega de jogar as gordas pro canto da loja. Elas existem e querem fazer-se notar.