Olá gente. Ontem fiz uma redação para a aula de linguagem jurídica sobre educação financeira abordando a questão do crédito fácil e a ausência de educação financeira tanto dentro quanto fora de casa. Gostaria de expandir um pouco a discussão visto que muitas de nós já passamos ou estamos passando por isso.

Acredito que o problema não seja a oferta de crédito fácil mas a falta de educação financeira. Perdemos a habilidade e mesmo o costume de viver com o que ganhamos, parcelamos coisas que valem ser parcelas, como moradia e carro mas também parcelamos coisas que compramos diversas vezes como roupas, supermercado, cabeleireiro etc e assim acumulamos diversos parcelamentos esquecendo que temos apenas um salário.

É certo que as operadoras oferecem várias vantagens para o uso do crédito, como milhas aéreas, sorteios e pontos para trocar por produtos. Olhando por esse ponto podemos pensar que é válido usar o cartão e pode sim ser mas só e apenas se você tiver controle dos seus gastos para que ao chegar a fatura você não passe fome para pagá-la ou a deixe escondida na gaveta fingindo que nada aconteceu… e aí vem os juros, vilão á parte.

Além do cartão de crédito com limites por vezes maiores que nosso próprio salário, temos também o cheque especial o qual o banco mostra o valor somado ao saldo em conta e traz como saldo total, deixando a impressão de que é um dinheiro a mais que podemos usar. Acontece que os juros pelo uso do cheque especial são imensos e o que parecia um ” bônus ” dado pelo banco se torna mais uma dívida a ser quitada.

E o crédito fácil? O banco liga te oferecendo dinheiro… que amigo faria isso? Aí você planeja a viagem, a reforma, as plásticas… mas o dinheiro não é seu! E os juros? A perder de vista! O banco não é seu amigo por ligar oferecendo dinheiro pois ele não está te dando esse valor. O que ele está é te oferecendo uma looonga dívida, afinal o dinheiro que ele te emprestar você terá que devolver com juros!

Acredito que o mercado financeiro se sustente em boa parte dessas muitas pessoas que se iludem por números e não pensam no amanhã. Digo isso por experiência própria. E não, não culpo o banco. Ele não te obriga a aceitar o crédito, você usa se quiser.

Não tive educação financeira em casa pois não recebia mesada fixa nem fui ensinada como usar o dinheiro. Recebia dinheiro de vez em quando. Como nunca tinha quando alguém me dava algum valor eu corria para gastar com algo que eu quisesse pois não sabia quando teria dinheiro de novo.

Comecei a ganhar dinheiro com meus negócios +- aos 15 anos e quando abri uma conta no banco e vi todos os valores oferecidos como crédito acabei me enrolando bastante. Infelizmente acabei ficando super endividada e com isso tive que aprender na marra a lidar com o valor que eu ganhava para conseguir pagar as dívidas. Depois que me vi livre de tudo isso consegui respirar aliviada e hoje busco sempre poupar para conseguir as coisas que quero.

Daí por que acho que a educação financeira deve vir de berço. Meus pais sempre tiveram poupança mas nunca me ensinaram nada sobre dinheiro, por isso tive que aprender na marra. Isso não é saudável, melhor sempre aprender pelo que os outros passaram em vez de enriquecer o banqueiro para isso.

Hoje mais de 60% dos brasileiros estão endividados. Imagine, mais da metade da população! Isso retrata a falta de educação financeira do brasileiro e a ilusão do dinheiro fácil vindo do banco, que na verdade é um dinheiro muito caro. Você vai viajar hoje e pagar a viagem por 3 anos ou mais. Isso é muito triste de constatar, mas é a verdade.

Educação financeira é aprender a poupar e a viver dentro das suas possibilidades. Se você quer viver uma vida melhor trabalhe ou estude mais, mas não se endivide pois não há coisa pior do que uma Louis Vuitton paga em 24x sem juros onde você economizou até no alface pra pagar a parcela.

Vale bastante economizar em pequenas coisas para que consiga se dar ” luxos ” maiores como fazer uma viagem ou comprar seu imóvel ou carro próprio. É algo a se pensar.

Separei em tópicos algumas dicas para evitarmos o endividamento e nos ajudar a entender o que podemos fazer com o que ganhamos:

1) Liste seus gastos pessoais por 1 semana e verifique onde pode cortar. Por vezes tomar café em casa e levar marmita ajudam para que pequenos valores juntos virem uma viagem ou um carro em pouco tempo.

2) Tenha uma poupança e deposite um valor fixo todo mês. Não guarde o que restar, guarde o valor fixo assim que receber. Busque agendar a aplicação, assim você nem sentirá que ela está saindo da sua conta. Para isso liste seus gastos fixos mensais ( aluguel, parcela do carro, supermercado ) e diminua do seu salário total. Do que restar separe um valor mensal para depósito na poupança e pronto, tudo estará bem planejado! Favor separar um valor real. Não adianta depositar 500 no primeiro mês e não depositar nos meses seguintes.

3) Curta mais a natureza e se divirta gastando menos. Curta os parques da cidade, museus e praias. São passeios de baixo custo e super divertidos para toda a família. Também valem programas caseiros como jogar vôlei no play ou fazer cineminha na sala.

4) Pare de achar que se sobra você tem que gastar. A mídia nos mostra mil e umas coisas que devíamos ter mas nem tudo nós queremos ou mesmo precisamos. Guarde o dinheiro e deixe para gastar quando estiver querendo ou precisando de algo.

5) Pense no amanhã. Preocupe-se com sua aposentadoria, com a complementação com uma aposentadoria privada ou mesmo com uma poupança específica para ser usada nessa época da vida. Ter tranquilidade financeira definirá a qualidade dos seus últimos anos de vida.

É isso gente, eu sinceramente não valorizava esse planejamento financeiro quando mais nova mais hoje me importo bastante. Poupo sem neura, não deixo de viver. Acredito que o melhor de viver dentro das nossas possibilidades é viver com mais tranquilidade, deitar a cabeça no travesseiro sem se preocupar com dívidas que não teremos como pagar.