Desde que comecei a trabalhar fora, há cerca de 3 meses, minha rotina mudou bastante. Além do trabalho (estágio, na verdade) também tenho como fontes de renda meu blog, canal e minha lojinha no Enjoei, que é de onde tiro a maior parte dos meus recursos. Além disso faço faculdade, cuido dos meus cachorros e ajudo a cuidar da casa.

Antes de começar no estágio eu estava apenas em casa gerenciando todas essas atividades. Bem ou mal eu tinha o controle de tudo que acontecia, gerenciava as vendas da lojinha e os envios, conseguia gravar e editar vídeos com frequência e ainda curtia meus cachorros. Tudo isso porque eu tinha tempo e estava sempre presente.

Agora que estou longe das 13h às 18h voltei a precisar de ajuda. Isso já aconteceu antes, quando comecei meus outros 3 estágios. Passo parcialmente a função de envio dos produtos para a minha mãe, que despacha os produtos para os Correios com a ajuda do meu irmão.

Caixa Correios

Eis que esses dias enfrentamos uma dificuldade que me fez refletir.

Dia 1) Pedi que meu irmão fosse aos Correios pegar o que tinha na Caixa Postal do blog. Enviei-o com a chave e uma declaração. Ele voltou sem nada. Nos Correios informaram que precisariam da minha identidade.

Dia 2) Ele voltou lá com minha identidade, porém o papel com os dados do pacote que estava na minha Caixa Postal estava perdido em casa. Ele voltou sem nada, pois queriam o papel nos Correios.

Dia 3) Ele voltou lá com minha identidade, a identidade dele, a declaração, a chave da caixa postal e o bendito papel. Finalmente conseguiu pegar a caixa.

Demorei 3 dias para conseguir pegar UMA caixa na caixa postal. Quase a perdi, pois faltava pouco para que o prazo expirasse e ela voltasse ao remetente.

A questão toda foi que no dia 1 eu reagi bem, respirei fundo e disse que tudo se resolveria. No dia 2 eu já estava fervendo no telefone pedindo que minha mãe chamasse a gerente e pegasse a droga da caixa. No dia 3 eu estava em ponto de bala imaginando o que faria se aquilo não se resolvesse.

Tudo isso aconteceu por falta de organização minha, que já poderia ter providenciado tudo no dia 1. Como estava com a cabeça cheia de coisas fiquei desatenta e essa desatenção gerou toda essa confusão. O pior é que, ao invés de eu ficar calma e orientar minha galera a como resolver, fiquei nervosa por sentir que não tinha o controle da situação.

Perder o controle emocional porque não consigo ter o controle físico das coisas não faz o menor sentido. Parei pra pensar e vi que, já que tenho que coordenar a distância, preciso estar calma para planejar, organizar e orientar o pessoal pra que tudo corra bem, e não ficar explodindo via telefone como se isso fosse resolver tudo.

Na verdade isso só me faz perder credibilidade com os outros e ainda causa desequilíbrio dentro de mim.

agenda e caderno

Vendo isso, me distanciei da situação e percebi que ando muito impaciente. Coisas que são óbvias para mim não são óbvias para os outros, mas em vez de eu ter calma e explicar (para que em algum momento isso também seja óbvio para eles), ficava nervosa. Estava ansiosa e desatenta, cometendo pequenos erros que, juntos, causaram uma grande baderna tanto na minha vida quanto no meu trabalho.

Vi que eu preciso respirar fundo e racionalizar. Conheço minhas tendências de comportamento quando estou sobre tensão e vou voltar a me vigiar para que eu consiga lidar com as questões que aparecerem com equilíbrio e sensatez. É isso que um líder faz, e é nesse caminho que eu quero seguir.

Felizmente hoje compreendo a importância do “conheça-te a ti mesmo”. Quando conhecemos nossas tendências conseguimos criar estratégias para lidar melhor com o que nos tira do eixo. Quando agimos sem pensar podemos nos arrependemos depois, inclusive muitas vezes o que fazemos em 5 minutos de descontrole pode nos perseguir por uma vida. Daí a importância de racionalizar.

Não podemos ter total controle de tudo que acontece ao nosso redor, mas podemos fazer bem a nossa parte e ajudar os outros para que possam fazer bem a deles também.

Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa? – Freud